Vinhos de um novo CHILE (primeira parte)

 

VINHOS DE UM NOVO CHILE (primeira parte)

 

Aposto que você já provou um vinho chileno. Hoje este país ocupa a quarta posição em termos de exportações de vinhos à nível mundial. Perdendo somente para os três gigantes europeus (Espanha, Itália e França).

 

“ O Chile é como Volvo, seguro, confiável, mas sem graça para quem curte vinhos!”

 

Esta frase não é minha, mas quando eu a li, concordei com ela. Ela foi escrita no jornal The Guardian em 2002 pelo famoso crítico de vinhos Tim Atkin. Naquela época, mesmo sarcástico ele foi cirúrgico.

 

Nos anos 2000, o país crescia em números de consumidores de vinhos e de clientes externos. Todos queriam vinhos do Chile, vinhos da cordilheira, vinhos sem filoxera. Vinhos do novo mundo!

 

Como produzir mais e mais vinhos para atender a demanda? Tratá-los como commodities, criar linhas de produção que colocassem vinhos iguais ou muito semelhantes nos containers mundo afora. Por anos, esse movimento foi um sucesso. Aqui no Brasil, nem se fala.

 

Mas como tudo na vida, as coisas mudam. Os números começaram a cair, muitos estudos foram realizados e instituições foram criadas de apoio ao produtor de uvas e vinhos. Rótulos novos deveriam ser criados, uvas exclusivas utilizadas, vinhos elaborados em quantidades limitadas e que, ao mesmo tempo, representassem o amado DNA chileno. Renovação urgente.

 

Os pequenos e médios produtores fizeram seu dever de casa e foram muito rápidos em entender o que o novo consumidor de vinhos mundial estava em busca. Um deste exemplos encontramos na linda e pequena Calyptra, responsável pela elaboração de vinhos diferentes, elegantes e como eles mesmo dizem, com raízes!

 

Escolhi para esta coluna o vinho ícone deles que se chama Zahir da safra 2011, elaborado com uvas cabernet sauvignon em safras especiais. Deste vinho foram criadas somente 2.900 garrafas que estagiaram por 28 meses em barricas novas e outros 36 meses em garrafa antes de irem ao mercado. Colheita manual e poucas uvas por hectare ajudam a certificar um enorme respeito pelo terroir do Vale de Cachapoal aonde estão localizados.

Estamos falando de um vinho de cor rubi intensa, aromas de frutas roxas, maduras como cerejas e flores de eucaliptos. Liquido potente em boca, mas muito equilibrado, sedoso e com taninos integrados puxam um final longo e encantador. Sugiro harmonizar com carne de cordeiro e que aproveitem os outros vinhos desta pequena vinícola.

 

O que vocês acham que Tim Atkin escreveria hoje (2020) sobre os vinhos chilenos? Querem saber? Esperem pela minha próxima coluna, pois também terá outra belezinha elaborada no Chile.

 

Patrocinador desta coluna: Artlaser para conhecer a gráfica, clique aqui.

 

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