Observando Pessoas

 

OBSERVANDO AS PESSOAS

 

06:40 – Saturday, December 26th, 2020 Christmas Day – USA

 

A mensagem acima apareceu na tela de meu notebook hoje pela manhã.

 

Acordar cedo me faz pensar melhor, escrever com mais calma e estar comigo mesmo.

 

Quem me conhece sabe que passei quase 20 anos de minha vida viajando pelo mundo. Conheci dezenas de países, culturas e povos diferentes. Poucos sabem que já fui visitar a Nicaragua, El Salvador, Costa Rica, Irlanda do Norte e que passei semanas na China.

 

Aprendi a conhecer as pessoas. Aprendi a aceitar as diferenças. Constatei que culturas são fortes. Costumes existem e são passados de geração em geração. As pessoas levam consigo seus ensinamentos. Vestimentas ajudam a replicar padrões de vida.

 

Uma das minhas paixões enquanto aguardava em aeroportos, era simplesmente observar as pessoas e tentar identificar a nacionalidade delas. Algumas pessoas facilitavam esta minha análise e rapidamente eu conseguia identificar algo que fosse claramente típico de uma região do planeta.

 

Um careca, vestido com um lençol cor rosa clarinho, chinelos de dedo e com olhar de conhecedor dos mais profundos segredos da humanidade. Caminhando com a calma de uma babá inglesa no olhar: um monge tibetano, sem dúvida! Para onde ele estaria indo viajar, para alguma outra montanha?

 

Uma menina, cabelos compridos, estilo “rastafari”, agitada, atrasada, roupas coloridas com as cores amarelo, vermelho, preto e uma mochila de pano com pouca coisa dentro: costa riquenha, sem dúvida! Porque sempre estão com pressa? O reage não acalma os ânimos?

 

Um rapaz, bem vestido, terno, gravata, pastinha de executivo com 46 compartimentos, rodinhas a estilo “samsonite”, bloquinhos, iphone, fones de ouvido, sentado na primeira cadeira e bem próximo ao gate de entrada: americano, sem dúvida! A angústia no olhar e o preenchimento de planilhas de despesas de viagem ajudavam na constatação.

 

Uma mulher muito bem vestida. Acompanhada de uma criança muito comportada. Ambas desconectadas com o que estava acontecendo ao seu redor. Simplesmente em total sintonia existencial e, em algumas vezes, lendo um livro ao invés de estar neuroticamente olhando as redes sociais em um smartphone. Mãe e filha francesas, sem sombra de dúvidas! Como podem estar sempre calmas?

 

Eu passava horas e horas fazendo estas análises e comparações. Quando eu tinha dúvida, me aproximava para ver se eu conseguia escutar alguma palavra ou pronúncia para tentar pegar mais alguma dica. Confesso que era bastante divertido e me ajudava a passar o tempo.

 

Este ano de 2020, passou voando. Todos os povos foram colocados à prova. Não tivemos nenhum país imune ao vírus. Reações foram distintas. Sigo em busca de algum estudo comparativo e profissional sobre as mais diferentes formas de proteção que foram adotadas por cada Governo e comunidade à nível mundial. Algo isento e inteligente que mostre as eficiências e deficiências.

 

Tenho certeza que, independente da nacionalidade, mais de 98% dos seres humanos neste ano foram forçados a viver de forma tensa todos os dias. Não tivemos paz, fomos bombardeados com problemas diariamente. Será que aprendemos alguma coisa? Será que a proximidade com o final de ano, época de revisão de prioridades e valores, poderá nos ajudar a encontrar forças para encarar 2021? Tomara que sim.

 

Segue abaixo um pouco do que aconteceu comigo:

Neste ano, eu li mais livros.
Neste ano, eu viajei bem menos.
Neste ano, eu tive bem menos pressa.
Neste ano, eu perdi amigos.
Nesta ano, eu não fiz novos amigos.
Neste ano, eu bebi menos chimarrão.
Neste ano, eu observei ainda mais as pessoas.
Neste ano, eu não assisti a nenhuma “live musical”.
Neste ano, eu participei de três “lives” em redes sociais.
Neste ano, eu aprendi a usar máscara na rua.
Neste ano, eu curti demais o tempo com a minha filha.
Neste ano, eu nunca trabalhei tanto.
Neste ano, eu cuidei mais da nossa casa e das nossas plantinhas.
Neste ano, eu comecei a “lavar” as compras do supermercado.
Neste ano, eu aprendi a cumprimentar com o cotovelo, que coisa mais ridícula.
….e como não poderia faltar em minhas colunas.

 

Algo relacionado ao mundo dos vinhos que tanto amo:
Neste ano, lançamos um novo vinho chamado Marie Gabi Petit Manseng de safra 2020!

 

 

Crédito foto: ©2018 Nilton Santolin – Detalhe do Aeroporto GRU – Guarulhos, SP.

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