Nosso poder de escolha

Engana-se aquele que acredita que ele é soberano em suas escolhas de qual tipo de vinho irá comprar. Triste dizer que alguém já fez esta escolha para você. Ou melhor dizendo, ainda bem que algum profissional do trade já selecionou este ou aquele vinho e o fez chegar na gondola, loja especializada ou catálogo virtual. Existem centenas, milhares de opções disponíveis. Um filtro profissional se aplica em favor do enófilo.

E reforço que esta escolha pode ser aqui mesmo no Brasil ou no exterior quando podíamos viajar livremente. Aqui ou lá, este mesmo entendedor de preferências também já fez a escolha dele para que você possa fazer a seleção de qual vinho irá levar para sua casa.

Então tudo se resolve em termos de vender vinhos se o produtor conhecer o comprador? Não é tão simples assim. Ambos devem sim ter um ótimo relacionamento, mas o mundo não é só amizades. Produtor e comprador devem sim entender qual tipo de “gosto” o líquido dentro da garrafa deve atender. Devem analisar tendências tanto nacionais como internacionais e montar um planejamento de ofertas e preços.

As importadoras no Brasil precisam pensar longo-prazo, pois infelizmente estamos longe de grandes centros produtores de vinhos e tudo leva muito tempo e sempre envolve muita burocracia. Por isso contratos de fornecimento são assinados com anos de antecedência em alguns casos. Novamente alguém escolheu o vinho do seu jantar há muito tempo.

Compradores, importadores, lojistas nacionais e todos os demais profissionais envolvidos nesta cadeia de fornecimento de vinho vivem estudando e em busca do vinho que “não tenha erro”. Mas não estou falando de defeitos de qualidade ou em sua elaboração. Estou falando daquele produto que venda, que tenha saída garantida e que seja aceito pelo consumidor e que proporcione um novo pedido de reposição de estoque.

Além de provar e aprovar o produto, muitas análises e planilhas de viabilidade devem ser preparadas em seis mãos. Se inicia neste momento a alquimia econômica do mundo do vinho. Localização, transporte, safras específicas, lead-time, quantidade de garrafas por caixa, quantidade mínima de fornecimento, potencial e capacidade de reposição, itens complementares de auxílio a venda do produto, variação cambial, pandemia, etc. São milhares de estudos para chegar no melhor resultado. Montar um portfólio interessante e diferenciado também tem influência na seleção dos produtos disponíveis ao consumidor devido a limitação de espaço de exposição.

Grandes produtores de vinho e importadores já aprenderam a escutar as vozes de seus clientes, portanto já sabem que devem produzir e/ou importar produtos reconhecidos localmente, devem coloca-los à vista (publicidade), também se certificar que os mesmos sejam fáceis de ser encontrados, que entreguem mais do que o esperado e por isso até mesmo venham a receber um pouco mais por seus produtos. Em resumo a escolha perfeita do produto que possa vir a se tornar a sua escolha de vinho!

Muitas vezes o que emociona o consumidor a comprar seu vinho não é o mesmo que inclinou o comprador a efetuar aquela compra, e por isso que muitas vezes teremos liquidações relâmpago para ajustar esta pontaria. Prática também saudável e de aprendizagem para todos envolvidos. Principalmente neste momento de entendimento de como será nossas vidas daqui para frente. Todas as rotinas estão sendo alteradas e torço que tenhamos sempre novidades a preços acessíveis no mercado.

O mundo moderno que conhecíamos até Março exigia pequenos estoques, compras em regime de just-in-time e entregas ainda mais rápidas e certeiras. Hoje tudo mudou e ainda não sabemos ao certo o que irá ser exigido dos produtores. Entregas em geral estão mais lentas e mais caras, pois todo mundo está contando com entregas sem sair de casa, até mesmo de clips de papel. Imaginem a confusão dentro das transportadoras. Certamente teremos vinhos novos a disposição nos próximos meses.

O vinho desta coluna esta em sua quarta safra e foi elaborado em Rosário do Sul com uvas próprias de cabernet sauvignon e tem nome de rótulo Marie Gabi elaborado pela vinícola  – Routhier & Darricarrere (www.redvin.com.br) . Uma delícia de vinho rosado, harmoniza com comida japonesa, queijos leves e massas sem muito molho. Escolhi ele por causa do aumento de atenção com o vinho rose nos últimos anos no Brasil. Quando este vinho foi lançado há seis anos, a produção era pequena, hoje estão sendo engarrafadas quase 8.000 garrafas deste vinho. Isso comprova que muita coisa certa está sendo realizada em termos de entendimento de preferência do comprador e do consumidor final.

Lembrem-se….se beber vá de carona e agora de máscara também.

 

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