Desaceleração Momentânea – Mercado de Vinhos 2021

 

DESACELERAÇÃO MOMENTÂNEA – MERCADO DE VINHOS 2021

 

Como bem disse Rodrigo Lanari, fundador da Winext, o ano de 2020 foi, realmente, um ano fora da curva  nos mais diversos sentidos. Principalmente, no aumento do consumo de vinhos, com o surgimento de três milhões de novos consumidores regulares em apenas doze meses.

 

Os vinhos importados e os nacionais de mesa e fino se tornaram ótimas opções durante a pandemia – todas essas categorias tiveram incremento em vendas em 2020. Produtores notaram, até mesmo, um leve aumento no ticket médio de consumo e imaginam que isso tenha sido causado pela redução de gastos em restaurantes. Pessoas foram obrigadas a beber em casa, harmonizar e encontrar maneiras de passar o tempo.

 

Felizmente, os contrabandistas de vinho também foram forçados a ficar trancados em casa. Não puderam viajar entre as fronteiras no meio da madrugada de forma sorrateira, desconsiderativa, e encher suas minivans com os mais diversos vinhos, verdadeiros ou falsificados. Esse fato, consequentemente, também auxiliou no aumento do consumo do vinho fino nacional.

 

Entretanto, os importadores sofreram demais com as restrições e com a alta taxa cambial que elevou a Exchange rate e que, por consequência, obrigou os preços a serem reajustados mensalmente. Por outro lado, me recordo que os governos de Portugal e Chile decidiram ajudar os seus produtores e, por isso, estamos encontrando boas ofertas em preço e qualidade em nossos mercados.

 

Tenho notado que, nos primeiros dois meses de 2021, as pessoas estão literalmente anestesiadas e não aguentam mais tanta restrição, perderam entes queridos e a luz no fim do túnel parece ainda estar muito longe. Vacina existe no mundo, mas irá demorar para chegar a todos nós brasileiros. Portanto, com esse novo momento e quase completando um ano de pandemia, vejo uma desaceleração no consumo de vinhos em geral comparado ao ano passado.

 

Percebo os lojistas e distribuidores do mundo do vinho fino brasileiro agindo com mais cautela – colocando somente pedidos estratégicos e de reposição específica. Isso mostra que o consumo final na ponta teve uma redução. As vinícolas nacionais precisam despertar e pensar em como consolidar o crescimento das vendas. Os importadores e as grandes empresas de e-commerce estão cada vez mais criativas e investindo em marketing, tecnologia e novas promoções. Teremos um mercado bastante competitivo em 2021.

 

Minha vontade é que todos os players tenham margens de lucro saudáveis para sobreviver à pandemia e que o consumidor final tenha produtos honestos e sem defeitos. Precisamos consolidar o aumento do consumo de vinhos no Brasil. Somos minúsculos e o espaço de melhoria e crescimento é enorme. Mas, antes disso, temos que entender o consumidor, fortalecer as marcas e investir forte nesse mercado.

 

Se beber, vá de carona.

 

Texto: Julio Gostisa

 

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