Até quando precisaremos de degustação às cegas?

O mundo do vinho nos permite viajar. Nos leva a conhecer novos lugares e pessoas. Vinho é arte liquida. Existem milhares de produtores aqui no Brasil e no exterior. Contudo é bastante difícil lembrar nome de uvas, rótulos, empresas, símbolos, brasões, marcas, safras e regiões de todos os vinhos que já provamos nessa vida. Milhares de dólares são investidos anualmente por essa indústria do vinho e da comunicação aliadas em busca da fixação na memória do consumidor de alguma fagulha que permita a recompra de garrafas de vinho.

Entretanto, existe uma vertente que bate forte na utilização de técnicas de degustação às cegas. Tendência muito mais divulgada e propagada em países aonde a cultura do vinho local ainda sofre de vários preconceitos. Por exemplo aqui mesmo no Brasil. Você tem o costume de comprar produtos sem antes ver a marca ou rótulo? Você tem tanto ódio de algum tipo de produto que somente seria capaz de prová-lo de olhos vendados? Quantos produtos você prova ou até mesmo compra por mês em suas visitas ao supermercado sem saber quem o produziu?

Quero aproveitar para deixar bem claro que não sou contra este tipo de artimanha, pois eu mesmo fui apresentado ao mundo dos vinhos nacionais através de uma destas degustações de olhos vendados. Foi muito legal, várias garrafas, relato do Julgamento de Paris de 1976 e outras belas histórias durante toda a noite. Fiquei encantado com um dos vinhos. Um tinto de corte bordalês fabricado pela RAR do falecido Sr. Raul Anselmo Randon. Acabei conhecendo o produtor, entendendo a fundo a maioria de suas dificuldades. Hoje vivo a indústria do vinho nacional e importado todos os dias de minha vida, portanto de certa forma sou grato aquela experiência.

Acredito que nos últimos vinte anos, muita coisa mudou no mundo dos vinhos nacionais. Como por exemplo a atenção a todos os detalhes na produção e divulgação deste vinho destacado em minha coluna desta quinzena: Millésime Cabernet Sauvignon de safra 2017 da Vinícola Aurora de Bento Gonçalves. Estamos falando de um vinho tinto elaborado somente em safras excepcionais e por isso considerado o vinho ícone desta cooperativa gaúcha.

Nesta nova safra, o vinho ícone da empresa gaúcha ampliou para 18 meses sua passagem por barricas de carvalho americano, seis a mais que a versão de 2015. O contato com a madeira, associado a boa maturação das uvas, resultou em um perfil aveludado. No olfato, além da baunilha marcante, característica tradicional do uso do carvalho americano, há a presença de notas de ameixa, cassis, frutas secas e tabaco. Sua estrutura é equilibrada, com taninos agradáveis, boa acidez com profundidade e persistência excelentes, dignas de um grande vinho de guarda.

O Millésime Cabernet Sauvignon 2017 tem edição limitada de 24 mil garrafas numeradas, que estão à venda em todos os estados brasileiros. Para harmonizar com a nova edição, a sugestão é apostar em combinações com carnes vermelhas em geral, carnes de caça, aves de carne escura, molhos untuosos, massas com molhos de queijos de sabor acentuado e risotos com essas bases.

A arte de criar e reinventar, associadas a virada tecnológica, fazem com que a vinícola – uma das mais antigas do setor – continue mirando para longe do horizonte. Como então degustar uma belezinha destas de olhos vendados? Muito difícil e injusto mesmo com toda uma centena de colaboradores apaixonados e envolvidos diretamente em sua elaboração. Portanto fica a dica que temos muitos produtos bons, premiados e com destaque em concursos internacionais em termos de qualidade sendo elaborados aqui mesmo em nossa terrinha e não precisamos fechar os olhos para eles. Se beber vá de carona.

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Crédito: Eduardo Benini

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